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21/07/2021 às 07h56min - Atualizada em 21/07/2021 às 07h56min

Nova cloroquina? Saiba o que é proxalutamida, remédio defendido para tratamento da covid

Medicamento foi defendido por Bolsonaro e Anvisa aprovou estudo

MIDIAMAX
Foto: Divulgação
De uma hora para outra, as buscas nos mecanismos de pesquisa pelo medicamento ‘proxalutamida’ saltaram no Brasil. Todos querem saber sobre o medicamento que tem sido apontado como a ‘nova cloroquina’, já que teve o uso defendido pelo presidente Jair Bolsonaro mesmo ainda sem comprovação científica. Na segunda-feira (19), a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou a realização de um estudo para avaliar a eficácia do medicamento no tratamento da Covid-19. 

Mas, afinal, que remédio é esse? A proxalutamida é indicada no tratamento de pacientes com câncer. Conforme a bula, o medicamento impede que células do corpo reconheçam os hormônios andrógenos. Diferente da cloroquina e ivermectina, o medicamento ainda não é registrado no Brasil e não é usado em nenhum tratamento, e ainda está sendo estudado para casos de câncer de mama e próstata. 

Ainda não há dados sobre o desempenho do remédio para combater o coronavírus no organismo. Em nota, a Anvisa divulgou, na segunda (19), que foi autorizada a realização de estudo clínico para avaliar a segurança e eficácia da proxalutamida na redução da infecção viral e o processo inflamatório causado pelo coronavírus. Será um estudo em fase III, randomizado, duplo-cego, controlado por placebo. 

A avaliação será feita em participantes ambulatoriais do sexo masculino com Covid-19 leve a moderada. “O estudo é patrocinado pela empresa Suzhou Kintor Pharmaceuticals, sediada na China, e será realizado na Alemanha, Argentina, África do Sul, Ucrânia, México, Estados Unidos e Brasil, onde participarão 12 voluntários do estado de Roraima e outros 38 de São Paulo”, informou a Agência. 

Medicamento é defendido por Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro falou sobre a proxalutamida logo ao receber alta do hospital, no domingo (18). Bolsonaro falou sobre o medicamento como uma nova aposta para combater a covid. “Tem uma coisa que eu acompanho há algum tempo, e nós temos que estudar aqui no Brasil. Chama-se proxalutamida. Já tem uns três meses que isso aí... Não está no mercado, é uma droga ainda em estudo, sendo estudada”, disse.

Não é a primeira vez que o presidente fala sobre o medicamento, ainda sem eficácia comprovada - mas, que diferente da cloroquina e ivermectina, ainda não foi descartada como ineficaz. A proxalutamida começou a ser defendida como um possível tratamento para Covid-19 em março. 

Em abril, o presidente Bolsonaro citou o medicamento, que seria utilizado contra covid em outros países. O filho do presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL) também já falou sobre o medicamento em suas redes sociais. 

Nova cloroquina?

Por ter sido defendida pelo presidente Bolsonaro, a proxalutamida tem sido apontada como a ‘nova cloroquina’. Isso acontece porque não é a primeira vez que o presidente defende um medicamento no tratamento do coronavírus sem uma comprovação científica. 

Desde o início da pandemia, Bolsonaro defendeu o uso da cloroquina e ivermectina no tratamento e até tratamento precoce do coronavírus. A compra e distribuição dos medicamentos do chamado ‘kit covid’, sem eficácia comprovada, são investigadas na CPI da Pandemia. 

Na semana passada, o Ministério da Saúde admitiu que os remédios do ‘kit covid’ são ineficazes contra o coronavírus. "Alguns medicamentos foram testados e não mostraram benefícios clínicos na população de pacientes hospitalizados, não devendo ser utilizados, sendo eles: hidroxicloroquina ou cloroquina, azitromicina, lopinavir/ritonavir, colchicina e plasma convalescente. A ivermectina e a associação de casirivimabe + imdevimabe não possuem evidência que justifiquem seu uso em pacientes hospitalizados, não devendo ser utilizados nessa população", diz documento.

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